Obrigado, Bruno
Desejo todo o sucesso do mundo ao treinador que nos fez regressar aos campeonatos profissionais.
Uma vez mais, não vi o jogo de hoje, frente ao LANK Vilaverdense. Vi alguns minutos da primeira parte enquanto o wi-fi do comboio deixou e ao chegar a casa recebo a notificação do resultado final: um desapontante 0-2. Pensei logo que era o fim da linha para o Bruno. Quando, a seguir ao jantar, voltei ao telemóvel, o “feeling” confirmou-se.
De momento estou fora do país a escrever no telemóvel. Não é um momento oportuno nem prático para me alongar. Menos o é por ainda não ter lido a entrevista do presidente Patrick, cujo conteúdo gostarei de analisar após a decisão de hoje. Ah, e com a AG ao virar da esquina (à qual faltarei, por ainda estar no estrangeiro) e eventual anúncio de novo técnico, também vou dar tempo ao tempo, deixar que haja novidades, para não comentar a rescisão com o Bruno a quente. Porque comentar a dita rescisão é comentar muito mais do que o futebol praticado…
Por isso, hoje reservo-me a agradecer ao Bruno.
Agradeço por ter mostrado sempre respeito pelo Belenenses e pelos belenenses. Desde as primeiras semanas como nosso treinador, mostrou-se interessado pela nossa história e pelas nossas grandes figuras. Mesmo assobiado e insultado, dedicou sempre aos sócios palavras de respeito e apreço em entrevistas, flash interviews, declarações, etc. Fica na memória a imagem do Bruno a carregar um barril de cerveja com um elemento da Fúria, na preparação da festa da subida. Ainda vamos ter saudades desta postura.
Agradeço por ter desenvolvido o nosso plantel. O Clé já cá anda desde o último ano das distritais, mas só no ano passado, pela mão do Bruno, é que explodiu. Foi também pela mão do Bruno que chegou o Grilo, um dos melhores guarda redes de anos recentes no clube. De um plantel limitado fez uma equipa que só precisou de um ano na Liga 3 para subir aos profissionais. Ainda vamos ter saudades desta capacidade de fazer omoletes com muito poucos ovos.
Agradeço por nós ter subido aos profissionais. No início da época passada, o presidente havia dado a entender que nos deveríamos preparar para passar uns tempos na Liga 3. O Bruno despachou logo a coisa num ano. Aquela festa no Restelo e em torno do Afonso de Albuquerque, a enchente no Jamor uns dias depois, o regresso aos profissionais após a descida às distritais: tudo foi conseguido pelo Bruno, que acreditou mais que todos nós. Ainda vamos ter saudades desta determinação.
Agradeço por ter continuado no clube após a subida. Parecendo que não, acredito que a decisão tenha sido difícil. Aceitou o desafio dos profissionais com um plantel limitado, uma estrutura praticamente amadora, uma conjuntura financeira sensível, e uma massa adepta que nem nos melhores momentos o apoiou a 100%. Ainda vamos ter saudades desta coragem.
Agradeço pelos bons momentos desta época. A imagem que fica é sempre a final. Desde a vitória em Tondela, a coisa tem piorado ao ponto de perdermos contra dois adversários do “nosso campeonato”. Mas não esqueço a vitória contra o Famalicão ou empate com o Torreense. Ou mesmo as primeiras partes contra Estoril e Gil Vicente. Foi bom futebol e, sobretudo, futebol propício a entusiasmar-me enquanto adepto. Ainda vamos ter saudades desta emoção.
Daqui por uns anos, quando estivermos de regresso à Primeira, vão provavelmente ser lançados dois ou três livros sobre o nosso caminho das pedras. E o Bruno Dias vai ter direito ao seu capítulo, porque assim o merece. É um nome do pós-2018 que não iremos esquecer.
Só posso desejar-lhe todo o sucesso do mundo na sua carreira. E espero que quando subirmos um dia à I Liga, o Bruno seja convidado de honra na festa. Que os sócios o saibam receber com o respeito de que o têm privado injustamente nestes últimos tempos.
PS.: desculpem lá qualquer erro ortográfico ou gramatical neste texto, escrever no telemóvel não tem jeito nenhum.


